Por Philipe Mandaji - Produtor do Hidromel Philip Mead

HISTÓRIA DO HIDROMEL

Sendo uma das bebidas mais antigas do mundo, fez parte da história de várias civilizações milenares. Vasos de cerâmica datados de 7000 AC, descobertos no norte da China, mostraram assinaturas químicas consistentes com a presença de mel, arroz e compostos orgânicos associados à fermentação. Tornou-se popular na Europa durante a Idade Média, sendo consumido em rituais e ocasiões especiais. Também está presente em algumas mitologias: entre os gregos, era parte da alimentação dos Deuses do Olimpo e na mitologia Nórdica, é conhecido como o "néctar dos Deuses". Alguns mosteiros mantiveram as tradições da produção de Hidromel, especialmente em áreas onde as uvas não podiam ser cultivadas.

 

COMO É FEITO O HIDROMEL?

O Hidromel é uma bebida alcoólica produzida através da fermentação do mel diluído em água. A similaridade entre processos produtivos, equipamentos, teor alcoólico e percepções de degustação o fazem ganhar o apelido de "Vinho de mel" a fim de facilitar o entendimento. 

Ingredientes

Os ingredientes principais são: água, mel e leveduras. Os leitores que já provaram um bom Hidromel podem estar se perguntando: "Mas como uma receita simples pode resultar em uma explosão de aromas e sabores?"

E para responder essa pergunta, precisamos discutir um pouco sobre o ingrediente de maior relevância dentro desta receita: o mel. O mel é produzido pelas abelhas através do néctar extraído das flores. Durante a extração, o néctar se mistura com enzimas presentes no estômago das abelhas e são armazenados nos favos. Durante o armazenamento, esta mistura se transforma no delicioso mel que conhecemos.

Uma curiosidade: para fazer apenas um quilo de mel, as abelhas precisam coletar o néctar de milhões de flores! Inevitavelmente as flores que as abelhas tiveram acesso alteram as características do mel e normalmente são sinalizadas pelos produtores (como por exemplo o mel de florada de laranjeira, silvestre, eucalipto, entre outros). 

Devido à alta concentração de glicose, o mel pode permanecer estável por décadas quando armazenado ao abrigo de luz, calor e umidade. E este é um dos motivos que devemos diluir o mel em água, para que as leveduras consigam realizar o seu trabalho.

Falando em leveduras, esta é outra variável muito importante dentro da receita. As leveduras são microrganismos responsáveis pela fermentação. Dedicarei o próximo tópico para explicar um pouco sobre a fermentação.

A mistura de água, mel e leveduras - em suas corretas proporções - leva o nome de mosto durante a fabricação. 

Fermentação alcoólica e leveduras

A fermentação é um processo biológico bastante complexo. Resumidamente, a glicose presente no mel é convertida em álcool e gás carbônico pelas leveduras (quando estas recebem quantidades suficientes de água, glicose, nutrientes, assim como a temperatura correta e pH apropriado). Considero como a etapa mais crítica da receita, pois se algum dos fatores não estiverem adequados, sabores e aromas desagradáveis podem predominar no Hidromel.

Maturação

A boa receita de Hidromel não finaliza quando a fermentação chega ao fim. Assim como o vinho e a cerveja, o Hidromel irá sofrer transformações com o passar dos meses. A presença do álcool ficará mais discreta, equalizando os sabores e dando espaço à presença do mel - sendo possível distinguir até mesmo as floradas em que o mel foi produzido. 

 

A PHILIP MEAD

Quando, em 2016, iniciamos a fabricação e a distribuição do Hidromel Philip Mead, de forma ainda bastante modesta, nosso objetivo era apenas um: proporcionar aos nossos consumidores o contato com o mundo medieval através de um produto de qualidade e sabor incomparáveis, proporcionando uma experiência exclusiva.

Os anos se passaram e o nosso objetivo foi alcançado. Somos, hoje, o hidromel mais avaliado no mundo inteiro, e as centenas de feedbacks positivos dos nossos clientes nos fazem ter a certeza de estarmos no caminho certo. Os últimos 5 anos nos fizeram amadurecer, crescer e evoluir, mas sem nunca abrir mão da nossa receita exclusiva e da qualidade de todos os nossos produtos.

Entramos agora em uma nova era. Junto com a evolução da nossa empresa veio a vontade de crescer ainda mais e a responsabilidade de continuar fornecendo aos nossos clientes um hidromel diferenciado, com qualidade premium e ingredientes cuidadosamente selecionados. A nossa missão é aumentar cada vez mais a popularidade do hidromel no Brasil, fornecendo um produto do qual nos orgulhamos e sem comparações. Não há dúvidas de que estamos prontos para isso.  

Nossa nova identidade visual valoriza não só a nossa marca, mas principalmente a sua experiência. Esta mudança reflete nossa nova estrutura organizacional, que agora conta com:

  • estrutura de fabricação moderna e eficiente para reforçar a qualidade e a sofisticação das nossas receitas;
  • centro de distribuição próprio, trazendo ainda mais agilidade para suas entregas;
  • equipe de ponta, capacitada e preparada para garantir a excelência de nossos negócios.

Após árduos meses de muito trabalho, estamos orgulhosos de apresentar-lhes um novo Philip Mead e afirmamos nosso compromisso em trabalhar incansavelmente para fazer aquilo que amamos e que fazemos de melhor, sendo fiel a nossa história e sem nunca abrir mão de nossos valores 

Sem você, nosso crescimento não seria possível. Muito mais do que nosso cliente, você é parte da nossa história e do nosso futuro.

 

COMO BEBER O HIDROMEL PHILIP MEAD?

Devido à complexidade de aromas, acidez, dulçor e teor alcoólico, recomenda-se a utilização de taças para a degustação. Pode-se dividir a experiência em 3 etapas:

  1. Apresentação: Deve-se levar a taça à um fundo de cor branca, a fim de verificar se o Hidromel foi bem filtrado e clarificado. Espera-se que o bom Hidromel seja translúcido e sua cor corresponda ao mel utilizado (mel de florada de laranjeira normalmente resulta em um hidromel com cores mais claras, enquanto o mel silvestre ou eucalipto resultam em um Hidromel de cor âmbar). Existem exceções devido ao tipo de ingrediente utilizado.

  2. Percepção de aromas: O hidromel deve ser agitado circularmente na taça a fim de oxigená-lo, liberando todos os aromas presentes na bebida.

  3. Percepção de sabores: Coloca-se uma quantidade de Hidromel na boca e, sem engolir, a bebida deve-se passar a bebida em toda a extensão da língua, a fim de ativar as papilas gustativas. Em seguida, pode-se beber pequenos goles, para sentir os parâmetros principais que estão presentes: dulçor, presença de álcool, acidez, taninos, retrogosto, off-flavors entre outros parâmetros.

Degustando o Hidromel Philip Mead

Como vimos acima, o mel é um ingrediente altamente complexo, pois deriva do néctar de diferentes flores. A receita do Hidromel Philip Mead valoriza ao máximo toda esta complexidade e entrega aos clientes uma experiência única. O blend de méis de diferentes floradas (silvestre e laranjeira) deixa-o ainda mais complexo, além de equilibrar o sabor. A combinação da lenta fermentação (utilizando leveduras de excelente qualidade) com os muitos meses de maturação resultam em um sabor intenso e marcante - permanecendo na boca por vários segundos após engolir - além da discreta presença do álcool. Possui dulçor equilibrado (sem ser enjoativo) e o retrogosto é altamente agradável, sendo possível beber a garrafa de uma só vez.

A temperatura recomendada para a degustação é de 14°C à 18ºC. 

Uma experiência muito bacana e refrescante é em dias quentes servir bem gelado na taça e ir degustando até a temperatura ambiente. 

Você terá diferentes percepções, o sabor do mel vai se intensificando quando a bebida vai perdendo a temperatura e o sabor vai se transformando. 

Uma ótima opção também é experimentar misturado na cerveja ou em drinks com frutas da estação.

O Hidromel é muito versátil, escolha o seu e se delicie :D

 

 

Fontes:

The History of Honey - National Honey Board Article

Shelf Life and Stability of Honey - National Honey Board Article

https://www.livescience.com/37611-what-is-honey-honeybees.html

https://www.nationalgeographic.com.au/history/honey-in-the-pyramids.aspx

https://www.penn.museum/sites/biomoleculararchaeology/?page_id=247

Livro: The Compleat Meadmaker - Ken Schramm

Livro: Make Mead Like a Viking - Jereme Zimmerman